(Avaliação) Jeep Compass Overland 2.0 turbo: vai ou racha?

Desde o final do ano passado, ventilam por aí algumas informações sobre o futuro do Jeep Compass Overland, versão menos cara com motor 2.0 turbo a gasolina. Há quem diga que ela deve sair de linha em breve, mais ou menos como aconteceu com a Limited TD350 4×4, última turbodiesel da linha. Só que a Limited turbodiesel já era vendida há nove anos, enquanto a Overland 2.0 turbo a gasolina mal bateu os onze meses de mercado. Será que faltam qualidades para a novata? Para descobrir, passamos sete dias a bordo dela!
Quanto vende e quanto custa
Antes de mais nada, os números do DENATRAN não mentem: até dezembro, a Overland havia emplacado quase 5 vezes menos que sua irmã Blackhawk, com a mesma motorização e proposta mais esportiva (750 unidades versus 3.715, para ser exato). O preço dessa Overland pode até ser salgado (R$273 mil básico ou R$285 mil equipado como o carro das fotos), mas não chega a ser impeditivo, afinal a Blackhawh custa R$20 mil a mais, e conseguiu vendas bem mais expressivas até então.
Powertrain poderoso
Sem dúvidas, a grande qualidade da Overland é seu powertrain. Poderosíssimo, vale falar. O motor 2.0 turbo a gasolina, Hurricane, faz desse o Compass mais rápido que já tivemos no Brasil, de longe. De uma só vez, ultrapassa duas barreiras importantes: são mais de 270 cv de potência e 40 mkgf de torque, bem administrados pelo câmbio automático ZF de nove marchas. A tração 4×4 com reduzida também faz parte do pacote. Conjunto caro, e em grande parte importado (motor italiano e transmissão alemã), mas que deu (muita) vida ao SUV médio.

Não parece, mas essa versão Overland acelera. E como. Por mais que o pico de torque do Hurricane venha aos 3 mil giros, impressiona a quantidade de força que ele dispõe em baixas rotações, especialmente ao redor dos 1.500 rpm. Hoje, o Compass é o modelo mais leve que ele impulsiona, então restou ao SUV uma performance praticamente esportiva. As arrancadas fortes e imediatas lembram a de modelos elétricos, e as retomadas são feitas com a menor pressão no pedal do acelerador.

Pique esportivo
Aliás, como não há seletor de modos de condução, quem manda na tocada é o motorista. A transmissão trata de se adequar ao estilo de quem dirige, e faz isso de forma rápida (adianta as trocas e evita reduções em busca do menor consumo, ou então se comporta de forma mais arisca para total desempenho). Em um estilo de condução ameno, esse Compass se comporta como qualquer outro 1.3 turboflex (suave, progressivo e muito silencioso), mas é só pedir que ele entrega seu máximo: aferidos, relevantes 6,7s no 0 a 100 km/h.
Como essa versão Overland é mais focada no requinte, nela não existe o ronco mais grosso do escape, trocado pelo silêncio a bordo. Mesmo sem “engrossar o tom”, consegue acelerações mais vivas e espertas que esportivos de verdade, como Fiat Pulse Abarth, VW Polo GTS e afins. A potência sobra mesmo nas altas velocidades: acima de 180 km/h, por exemplo, chama a atenção a agilidade para subir o ponteiro do velocímetro. De fato, quem não o reconhece pela dupla saída de escape traseira, ou pelos discretos emblemas na tampa do porta-malas, até assusta.
O velho ditado…
Apesar da excelente performance, é preciso lembrar de um bom e velho ditado: “cavalo que anda é cavalo que bebe”, e isso serve muito bem aos 272 “pocotós” do Compass. Eles têm bastante sede, e cobram o preço de mover os mais de 1.700 kg do SUV 4×4 por aí. As visitas ao posto de combustíveis são frequentes, afinal o tanque não tem mais que 55 litros, e a gasolina dentro dele queima rápido. Na cidade, o normal é rondar os 7,5 ou 8,0 km/l com ar-condicionado ligado, aproveitando o sistema Start & Stop. Só é possível melhorar essas médias na estrada, quando ele consegue chegar ao redor dos 13,5 km/l.
No apanhado de 525 km percorridos, 65% deles na estrada, a conta fechou em 9,1 km/l de gasolina. Se considerado o consumo urbano, um tanque cheio deve render algo próximo dos 430 km, enquanto o rodoviário, com sorte, chegará aos 740 km. Mas, sem dúvidas, para quem curte, a performance esportiva faz esquecer um pouco o alto consumo (um pouco…). Cairia bem o tanque maior do irmão Commander, com 61 litros, ao invés desse com 55.

Falando nele, Commander e Compass com motor 2.0 turbo trazem a mesmíssima relação das nove marchas automáticas. Boa notícia, afinal o SUV médio consegue o escalonamento bastante próximo dentre todas as velocidades, o mesmo (amplo) leque de opções na hora de acelerar, e a capacidade de manter o Hurricane em baixos giros em velocidades de cruzeiro, o que ajuda no menor consumo rodoviário. Em 6ª marcha a 120 km/h, o conta-giros marca menos de 2.700 rpm, baixando para cerca de 2.400 rpm em 7ª, 1.900 rpm em 8ª e baixíssimos 1.600 rpm em 9ª. Essa marcha final costuma entrar em ação só acima de 100 km/h, normalmente.
Dinamicamente melhor
Mais durinho, por conta da recalibração esportiva de molas e amortecedores, ele teve poucas perdas no quesito conforto ou absorção de impactos, mas ganhou bastante na dinâmica: se comporta de forma neutra mesmo em altas velocidades, permite curvas rápidas com maior segurança e inclina menos nos desvios de trajetória. Mas, ainda é SUV, com alto centro de gravidade, ampla altura do solo e por aí vai, mesmo com a valiosa ação da tração 4×4 automática, que distribui o torque para as rodas de acordo com as necessidades do momento. Os freios, nitidamente mais poderosos, conseguem manter a ação suave do pedal.
Toda essa potência, torque e desempenho, conservando a maciez a bordo e a dirigibilidade confortável, mostram um bom trabalho de engenharia. Realmente, caso não seja “cutucado” para entregar seu máximo, esse Compass 2.0 turbo tem comportamento similar ao do restante da linha, sem deixar muito explícita sua performance apimentada. O motorista ainda vai em posição elevada, acomodado pelo grande banco com ajustes elétricos, e tem tudo na mão, com fácil acesso. A direção elétrica não parece diferente: segue “parruda”, não muito leve, mas precisa.
Continua espaçoso
O espaço interno é igual ao de sempre no Compass: bom, especialmente para quatro adultos e uma criança no centro do banco traseiro, onde há ressaltos de assento e encosto, além do túnel central com eixo cardã (lado ruim da tração 4×4). O teto-solar panorâmico, opcional, aumenta consideravelmente a sensação de amplitude da cabine, ainda que limite um pouco a folga para a cabeça de ocupantes maiores na segunda fileira (como de praxe, ali é onde vai enrolada a persiana, quando aberta). O teto bem alto ameniza essa característica. Porta-malas? Mesmíssimos 476 litros das outras versões. Esmerado, o acabamento é ponto-forte, também.
Pacote curioso
Curioso é seu pacote de conteúdos de série: apesar de ter a motorização topo de linha e ser um dos Compass mais caros, esse Overland fica devendo algumas coisas até mesmo ao modelo S 1.3 turboflex, com tração dianteira e preço R$25 mil mais baixo. Estão de fora aqui monitores de ponto-cego, sistema Park Assist, sensores de estacionamento dianteiros e teto-solar panorâmico (opcional por R$10 mil), itens de série no S 1.3 turboflex. A Blackhawk traz tudo isso e mais um pouco, como a tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos, só que cobrando mais caro.
A Overland parece ser a versão certa para quem quer a melhor performance (inclusive no off-road, graças ao 4×4 e reduzida), abrindo mão de alguns equipamentos. Talvez seja esse seu contraponto, que o coloca no dilema do “vai ou racha”: faz sentido ter a melhor motorização, sem o máximo de itens de série?
Ficha técnica:
| Concepção de motor: 1.995 cm³, gasolina, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, duplo comando de válvulas, variador de fase na admissão e escape, bloco e cabeçote em alumínio |
| Transmissão: automática de 9 velocidades, com opção de trocas manuais por paddle-shifts ou na alavanca |
| Potência: 272 cv a 5.200 rpm |
| Torque: 40,8 mkgf a 3.000 rpm |
| Suspensão dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora |
| Suspensão traseira: indepentente, multibraço, com barra estabilizadora |
| Direção: com assistência elétrica progressiva |
| Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira |
| Pneus e rodas: Pirelli Scorpion, medidas 235/45 e rodas de liga-leve aro 19 |
| Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,40 m/1,82 m/1,64 m/2,64 m |
| Porta-malas: 476 litros |
| Tanque de combustível: 55 litros |
| Peso em ordem de marcha: 1.706 kg |
| Aceleração 0 a 100 km/h: 6,3 segundos |
| Velocidade máxima: 228 km/h (limitada eletronicamente) |
| Preço básico: R$272.990 (carro avaliado: R$285.190) |
Itens de série:
Adventure Intelligence Plus, Alexa in vehicle, banco elétrico para o motorista (6 posições), HDC (Hill Descent Control), pintura das partes plásticas na cor da carroceria, pneus com tecnologia Seal Inside (proteção adicional contra perda de pressão), retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores externos com rebatimento automático, revestimento interno do teto em preto, rodas de liga-leve aro 19″ cinzas, seletor de terrenos, sete airbags (2 frontais, 2 laterais, 2 de cortina e 1 para os joelhos do motorista), teto pintado na cor preta, tração 4×4 com reduzida, Wireless Charger (carregador do celular por indução), acendimento automático dos faróis, aletas para trocas de marcha no volante (borboletas), apoia-braço com porta-objetos, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, ar-condicionado digital automático dual zone, assistente ativo de direção, aviso de colisão frontal, frenagem de emergência com detecção de automóveis/pedestres/ciclistas, aviso de mudanças de faixa com assistente ativo, banco traseiro bipartido 60/40 rebatível, bancos em couro, câmera de estacionamento traseira, central multimídia de 10,1″ com navegador GPS, chave presencial com telecomando para abertura de portas e vidros, cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura, comutação automática dos faróis, controle de estabilidade (ESP), controle de tração (TC), controle eletrônico anticapotamento, detector de fadiga do motorista, direção elétrica, estepe de uso emergencial, faróis Full LED com assinatura em LED, freio de estacionamento eletrônico, Assistente de Partida em Rampas, lanternas com assinatura em LED, limitador de velocidade, limpador e desembaçador do vidro traseiro, painel de instrumentos digital HD de 10,25″, piloto automático adaptativo (ACC), protetor de tanque de combustível, rack do teto na cor preta, leitor de placas de trânsito, repetidor lateral nos retrovisores, retrovisores externos com ajustes elétricos, sensor de chuva, sensores de estacionamento traseiros, sistema Auto Hold, sistema de monitoramento de pressão dos pneus (TPMS), sistema de som Beats de 506W (8 alto-falantes + subwoofer), tapetes dianteiros e traseiros em carpete, volante multifuncional com acabamento em couro
































