(Avaliação) Jeep Compass 1.3 turboflex: O time continua ganhando?

O Compass é uma daquelas receitas que deram muito certo. Ingredientes bem escolhidos, preparação caprichada e uma boa dose de conhecimento de mercado fizeram dele um sucesso quase que inacreditável pra um carro acima dos R$100 mil (isso no seu lançamento em 2017, porque hoje já beira os R$150 mil). Nem mesmo os SUVs consagrados de outrora Honda CR-V e Toyota RAV-4 conseguiram vender tanto em suas épocas de ouro.

E pra continuar sendo o “queridinho da galera”, o Compass ganhou umas boas melhorias de meia-vida, como o novo visual, motorização inédita nas versões flex e mais recheio na lista de equipamentos de série. Mas será que a tal reestilização foi suficiente pra deixar esse Jeep ainda mais interessante? Essa versão intermediária Longitude (que não por acaso é a mais vendida na gama do Compass), é a resposta pra essa boa dúvida.

Foto: Lucca Mendonça

Começando pela parte mais importante dessa linha 2022, o Compass recebeu o moderno motor 1.3 turboflex que estreou na Fiat Toro. Compacto e bem recheado de tecnologias, ele desenvolve saudáveis 180/185 cv (gasolina/etanol) e 27,5 mkgf de torque logo aos 1.750 rpm. Se antes esse Jeep não brilhava com o 2.0 TigerShark aspirado e seus 166 cv/20 mkgf de torque, ele agora esbanja força desde cedo, sem precisar de muita pressão no acelerador nem tampouco ativar o modo Sport (mas ele ainda está lá, para os mais apressadinhos). Como todo bom motor turbo moderno, ele “enche” rápido e agiliza bastante as acelerações e ultrapassagens, feitas sem nenhuma lentidão.

A transmissão automática de 6 marchas é a mesma Aisin de antes, só que agora reescalonada para trabalhar com o novo motor. Um conjunto muito competente, diga-se de passagem, mas que peca em um enorme detalhe, como na picape Toro: o consumo elevado. Para os donos de Compass flex isso não é novidade alguma, já que o antigo 2.0 também bebia como gente grande, mas esse não era o esperado de um motor de menor cilindrada, mais tecnológico e moderno como esse 1.3 turboflex. As médias de consumo com etanol não ultrapassaram os 6,5 km/l na cidade e 9,0 km/l na estrada durante os nossos testes, isso com o carro vazio e sem abusar da velocidade. Nesse caso, nem o Start&Stop deu conta do recado…

Mesmo sendo moderno, tecnológico e compacto, esse 1.3 turboflex pisa na bola com o alto consumo (Foto: Lucca Mendonça)

Mas como um carro não se resume só em mecânica, o Compass 2022 conquista em várias outras coisas, incluindo o interior renovado. No lugar do antigo painel com multimídia embutida, que já dava os chamados “sinais de cansaço”, entrou um novo, mais bonito e com dispositivo flutuante de 10”. Acabamento e montagem, que já eram caprichados, ficaram ainda melhores, enquanto o visual conquista em cheio quem adentra o carro.

A única coisa mantida sem mudanças na parte de dentro do carro foram os bancos (também elogiáveis, diga-se de passagem). De resto, tudo novo. Esse provavelmente foi o tiro mais certeiro da Jeep nessa reestilização, já que a nova mecânica merece destaque pelas melhorias mas decepciona com o alto consumo, e o design é algo pessoal, que vai do gosto de cada um.

O novo interior foi uma das melhorias mais certeiras nessa linha 2022 (Foto: Lucca Mendonça)

Construção refinada e bom espaço interno, coisas que o Compass traz desde sempre, também ajudam nos argumentos de venda: Freios a disco nas quatro rodas, suspensão independente nas quatro rodas (recalibrada e agora mais rígida em prol da estabilidade) e fixação multibraço do eixo traseiro fazem a diferença na condução. Por fora, no tamanho ele fica longe de ser o maior da categoria, mas consegue transportar sem aperto até quatro adultos e uma criança, enquanto seu porta-malas tem bons 476 litros, segundo dados oficiais da Jeep. Nada surpreendente, mas adequado para a proposta do carro.

Essa versão Longitude avaliada, que sempre reinou como a mais vendida do modelo, mantém seu posto graças a relação custo X benefício interessante: é vendida por R$163 mil e entrega um pacote bem recheado, tendo desde sensores de chuva e crepuscular até faróis full-LED, 7 airbags (dois frontais, dois laterais, dois de cortina e um de joelhos para o motorista), bancos de couro, ar-condicionado digital automático dual-zone, retrovisor interno fotocrômico e por aí vai.

R$163 mil por essa versão intermediária Longitude: O melhor custo X benefício da linha Compass (Foto: Lucca Mendonça)

O carro das fotos ainda faz parte da Série 80 Anos, que pode ser adquirida com um pacote que adiciona coisas como carregador de celular sem fio, Park Assist, teto-solar panorâmico, sistema de som Beats com 506 watts, partida remota do motor e mais alguns diferenciais estéticos por R$8 mil. Levando em conta que esses itens não são oferecidos separadamente e com certeza custam bem mais caro que isso, esse pacote é um adicional que vale a pena.

Não tem erro: o Compass continua sendo o tal “time que está ganhando”, aquele que geralmente não se deve mexer, mas aceita muito bem algumas mudanças aqui e acolá. Os números de venda falam por si só: em setembro/2021, último mês cheio, esse médio da Jeep bateu seus próprios recordes sendo o terceiro carro mais vendido do Brasil, ficando atrás apenas da picape Fiat Toro (sua prima de segundo grau) e do hatch popular Hyundai HB20, que assumiu a liderança do ranking.

Quantos carros vendidos nesses últimos 30 dias? Quase 7 mil. Com um preço médio acima dos R$180 mil, nem preciso falar que a Jeep se garante muito bem só com o seu best-seller. Parafraseando os polêmicos comerciais televisivos de uma outra fabricante automotiva: Vida longa ao rei!

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.332 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, comando de válvulas único no cabeçote, MultiAir, bloco e cabeçote fundidos em alumínio
Transmissão: Automática com conversor de torque e 6 velocidades, com trocas manuais pela alavanca e paddle-shifts atrás do volante
Potência: 180 cv (gas)/185 cv (etanol) a 5.750 rpm
Torque: 27,5 mkgf (gasolina/etanol) a 1.750 rpm
Suspensão dianteira: Independente, McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: Independente, multilink, com molas helicoidais
Direção: Tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva
Freios: Discos ventilados na dianteira e Discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Pirelli Scorpion Verde, medidas 225/55. Rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,40 m/1,82 m/1,62 m/2,63 m
Porta-malas: 476 litros
Tanque de combustível: 60 litros
Peso em ordem de marcha: 1.585 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 9,7 s/9,3 s (gasolina/etanol)
Velocidade máxima: 204 km/h/206 km/h (gasolina/etanol)
Preço básico: R$162.990

Itens de série:

ABS, Acendimento automático dos faróis, Ajuste do volante em altura e profundidade, Alarme, Alertas de limite de velocidade e manutenção programada, Aletas para trocas de marcha no volante (Borboletas), Apoia-braço com porta objetos, Apple Carplay e Android Auto com espelhamento sem fio, Ar-Condicionado automático dual zone, Banco do motorista com regulagem de altura, Banco do passageiro rebatível, Banco traseiro bipartido 60/40 e rebatível, Bancos em couro, Bolsa porta objetos atrás dos bancos dianteiros, Central Multimídia de 10,1″ com Adventure Intelligence Plus, Chave de presença com telecomando para abertura de portas e vidros – Keyless Enter ‘n Go, Cinto traseiro central de 3 pontos, Cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura, Computador de Bordo (distância, consumo médio, consumo instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso), Controle de Estabilidade (ESC), Controle de Tração, Controle eletrônico anti-capotamento, Câmbio automático de 6 marchas, Câmera de estacionamento traseira, Direção elétrica, Encosto cabeça traseiro central, Estepe de uso emergencial, Faróis Full LED com assinatura em LED, Faróis e lanterna traseira de neblina, Freio de estacionamento eletrônico, Freios a disco nas 4 rodas, Friso cromado por toda a extensão das janelas do veículo, Ganchos de fixação de carga no porta-malas, HSA (Hill Start Assist), Iluminação do porta-malas, Isofix, Jeep Traction Control+, Lanternas com assinatura em LED, Limitador de velocidade, Limpador e desembaçador dos vidros traseiros, Motor T270 Turbo Flex, Painel de instrumentos em tela TFT de 7″ colorida e configurável, Panic Break Assist, Para sol com espelhos cortesia, Pavimento do porta-malas com revestimento duplo, Piloto automático, Porta objetos sob o assento do banco do passageiro, Protetor de cárter, Rack do teto na cor preta, Repetidor lateral nos retrovisores, Retrovisor interno eletrocrômico, Retrovisores externos elétricos, Rodas em liga aro 18” e pneus 225/55, Seis airbags (Frontais, laterais e de cortina), Sensor de chuva, Sensor de estacionamento traseiro, Sistema Auto Hold, Sistema Start&Stop (desligamento/acionamento automático do motor), Sistema de monitoramento de pressão dos pneus, Sistema de navegação GPS, Sistema de áudio com 6 alto falantes, USB e Bluetooth, Tapetes dianteiros e traseiros, Tapetes em carpete, Tomada 12V, Travas elétricas nas portas e porta-malas (travamento automático a 20km/h, trava de tampa do combustível, indicador de portas abertas), USB Tipo C, Vidros elétricos nas 4 portas com one touch, Volante com acabamento em couro, Válvula antirrefluxo de combustível

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.