(Avaliação) Jeep Commander Limited flex é versão de entrada que parece top de linha

O Novo Commander é, na bem da verdade, um Compass de sete lugares com mais tamanho, requinte, luxo e espaço. Plataforma, mecânica e motorização são iguais nos dois carros, com apenas calibrações diferentes. Essa versão do teste é a Limited Flex de R$215 mil. E, sim, é a de entrada, a mais barata. Nem parece, né?

Versão de entrada, mas não parece (Foto: Lucca Mendonça)

Visual chamativo, rodas diamantadas de 18”, um monte de frisos cromados, conjunto óptico full-LED, teto preto brilhante…isso sem falar dos bancos com ajuste elétrico, camurça e couro legítimo no acabamento, instrumentação toda digital, uma enorme multimídia com GPS, vários assistentes de condução e muita, mas muita tecnologia a bordo. Quem não conhece, pensa logo que esse é o carro mais caro, completão.

Rodas grandes, teto preto, frisos cromados e cara de versão de luxo (Foto: Lucca Mendonça)

Grande carroceria = grande espaço

Carroceria grande que reflete no bom espaço interno (Foto: Lucca Mendonça)

Por causa da plataforma modular, ele consegue ter um generoso entre-eixos de 2,79 m, isso sem falar nos 1,86 m de largura. Resumindo, todo seu porte de carroceria é refletido em um interior muito espaçoso. Modular, o Commander tem segunda fileira corrediça e com encosto regulável pra ajustar melhor o vão das pernas de quem vai nos dois últimos bancos (que, inclusive, também tem encosto regulável). Bem bacana.

A segunda fileira corre sobre trilhos e tem encosto retrátil (Foto: Lucca Mendonça)

No fundão, espaço e acesso são mais limitados, como de costume. Nem a enorme porta traseira, maior que a dianteira, ajuda no entra e sai de lá de trás. A pouca altura do assento também prova que aqueles dois últimos bancos são pra criançada ou pra alguém bem baixinho. A melhor parte é que todo mundo tem ao dispor luzes de leitura, portas USB e tomada 12 Volts, até quem vai na terceira fileira. A comodidade está em dia.

Apesar da comodidade e mimos, os últimos passageiros devem ser as crianças (Foto: Lucca Mendonça)

E porta-malas? Qualquer família que vai viajar precisa de espaço pras bagagens. O grandalhão nacional da Jeep atende quem tem pouca ou muita tralha para carregar: 661 litros na configuração de 5 pessoas ou 233 litros com a terceira fileira montada. Mesmo levando sete ocupantes, ele tem mais capacidade que um Fiat Mobi. Ah, e tem abertura/fechamento automáticos por botão interno ou na chave.

Boa dinâmica, requinte e conforto

Se o Compass já oferece um ótimo acabamento, o Commander o supera. Tudo aqui é muito bem montado e com materiais de primeira qualidade. Aliás, seu interior completo vem do Compass, incluindo painel, volante, instrumentos, bancos, laterais de porta e por aí vai, mas é mais refinado. O lado bom é que a ótima ergonomia do Jeep de cinco lugares se repete aqui. Não tem erros.

Interior do Compass: sem erros (Foto: Lucca Mendonça)

Ele é dono também de um bom ajuste das suspensões, que absorvem muito bem quaisquer irregularidades do piso e garantem um rodar suave, fora o silêncio na cabine que também conquista. Quem já guiou um Compass vai notar várias semelhanças, como no peso da direção, atuação de pedais, entre outros, mas os componentes foram ajustados de acordo com o “corpão” maior e mais pesado do Commander Flex, que passa fácil dos 1.700 kg.

Ao volante, boas semelhanças com o irmão menor (Foto: Lucca Mendonça)

No geral, ele faz curvas com competência, freia bem e tem direção elétrica relativamente precisa (poderia ser um pouquinho mais…), mesmo que a proposta de um SUV de sete lugares passe longe da esportividade.

Mecânica: o bem e o mal

Os Commander Flex trazem sempre o motor 1.3 turboflex GSE (ou T270, se preferir), aquele mesmo da Fiat Toro, Jeep Compass e agora o Renegade. Pequeno no tamanho, silencioso no funcionamento e bem moderno na concepção, ele entrega saudáveis 180/185 cv de potência com 27,5 mkgf de torque máximo (gasolina/etanol), o que dá quase 140 cv/litro!

1.3 turboflex: quase 140 cv/litro! (Foto: Lucca Mendonça)

Em conjunto com o câmbio automático Aisin de 6 marchas, que, com pé leve, troca as marchas ao redor dos 2 mil rpm e reduz rapidamente quando necessário, o T270 move o Jeep de sete lugares com competência. Não é onde ele brilha mais, até porque aqui ele puxa quase 2 toneladas, mas entrega força já nas baixas rotações e, com pouco turbolag, logo faz o Commander ganhar velocidade. Ultrapassagens ou retomadas são feitas sem demora, por exemplo.

Eficiente, o conjunto do 1.3 turbo com o câmbio Aisin move o Commander com agilidade (Foto: Lucca Mendonça)

O problema mesmo é o consumo. Isso já assombra a Nova Toro 1.3 turbo e o Compass 1.3 turbo, e claro que no carro maior não seria diferente. O Commander flex bebe, e nem o sistema Start&Stop, que é de série, salva nesse caso. Com etanol durante nossos testes, sem abusar nas acelerações e com quatro ocupantes mais bagagem a bordo, ele registrou 5,8 km/l na cidade e bateu os 8,8 km/l na estrada.

Apesar da alta potência, torque farto e, pra justificar, o alto peso do Commander, esse 1.3 turboflex deveria gastar bem menos combustível. Sua baixa cilindrada e várias tecnologias não condizem com os números do computador de bordo. Esse Jeep grandalhão tem, pelo menos, um bom tanque de 61 litros, então alcança boas distâncias quando cheio.

Toro 1.3 turbo e Compass 1.3 turbo já sofrem com o mal do alto consumo. Imagina o Commander… (Foto: Lucca Mendonça)

Conclusão

Por R$215 mil e nada mais (nem as cores são cobradas, está tudo incluso), ele não é muito mais caro que um Compass Limited turboflex com opcionais, que já chega perto dos R$205 mil. A favor do Commander está o design chamativo e com mais presença, interior bem espaçoso e refinado, muita tecnologia embarcada e conteúdos de série que agradam até os donos de modelos da tríade alemã. Médias de consumo à parte, é difícil não achar esse Commander de entrada um bom negócio.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 1.332 cm³, flex, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo, injeção direta de combustível, comando de válvulas único no cabeçote, MultiAir, bloco e cabeçote em alumínio
Transmissão: Automática com conversor de torque e 6 velocidades, possibilidade de trocas manuais na alavanca ou paddle-shifts
Potência: 180/185 cv a 5.750 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 27,5 mkgf a 1.750 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: independente, multilink
Direção: do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva
Freios: discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira
Pneus e rodas: Bridgestone Alenza 001, medidas 235/55. Rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 4,77 m/1,86 m/1,68 m/2,79 m
Porta-malas: 661 litros (5 lugares)/233 litros (7 lugares)
Tanque de combustível: 61 litros
Peso em ordem de marcha: 1.685 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 10 segundos
Velocidade máxima: 202 km/h (limitada eletronicamente)
Preço básico: R$215.018

Itens de série:

Aletas para trocas de marcha no volante (Borboletas), Travas elétricas nas portas e porta malas, Retrovisores externos elétricos, Câmera de estacionamento traseira, Sensor de chuva, Luzes diurnas em LED, Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência com detecção de pedestres e ciclistas, Sistema de áudio com 6 alto falantes , USB e Bluetooth, Limpador e desembaçador dos vidros traseiros, HSA (Hill Start Assist), Controle de Estabilidade (ESC), Piloto automático adaptativo (ACC), Central Multimídia de 10,1″ com Adventure Intelligence, Freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold, Freios a disco nas 4 rodas, Detector de fadiga do motorista, Sistema de monitoramento da pressão dos pneus, Controle eletrônico anti-capotamento, ABS, Cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura, Conjunto óptico em LED, Ar-condicionado dual zone e ajuste de intensidade para as fileiras traseiras, USB Tipo C, Vidros elétricos nas 4 portas com one touch, Chave de presença com telecomando para abertura de portas e vidros – Keyless Enter ‘n Go, Sistema Start&Stop, Jeep Traction Control+, Alertas de limite de velocidade e manutenção programada, Apple Carplay e Android Auto com espelhamento sem fio, Ajuste do volante em altura e profundidade, Sistema de navegação GPS, Painel de instrumentos Full Digital e HD de 10,25″, 3ª fileira de assentos reclináveis, Retrovisor interno eletrocrômico, Bancos Premium em couro e Suede na cor preta, Painel frontal em Suede com acabamento cromado, Isofix, Indicador de seta dinâmico, Reconhecimento de placas de trânsito, Modo Sport, Cinto traseiro central de 3 pontos, Sete airbags (Frontais, laterais, de cortina e para os joelhos do motorista), Retrovisores externos com rebatimento automático, Aviso de mudança de faixas, Direção elétrica, Panic break assist, Sistema de estacionamento semiautônomo (Park Assist), Comutação automática de faróis, Sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, Banco elétrico para o motorista (8 posições), Acendimento automático dos faróis, Remote start (partida remota), Computador de Bordo (distância, consumo médio, consumo instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de percurso), Monitoramento de pontos cegos

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.