Avaliação: Geely EX2 é a prova que existe (boa) vida além da BYD

Geely EX2 Max - Foto: Lucca Mendonça

Já no lançamento do Geely EX2, após guiá-lo no test-drive e afins, apostei todas as minhas fichas no carrinho. Bom de preço, espaçoso, completo, moderno, de direção prazerosa e construção elaborada, que veio com a base sólida da Geely, que até comprou uma parte da Renault do Brasil, e fabricará carros no Paraná. Não errei: hoje ele é vice-líder dentre os elétricos, e já ultrapassou o queridinho BYD Dolphin. Só perde, por enquanto, para o Dolphin Mini, praticamente intocável por aqui.  

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Geely EX2 Max – Foto: Lucca Mendonça

7 dias com o Geely EX2 Max

De qualquer forma, 7 dias de testes com o Geely EX2 Max me fizeram relembrar das qualidades do carrinho. Custa menos de R$ 140 mil, ou o que a VW cobra por um Polo Highline 0 km, só que tem tamanho de SUV pequeno, amplo espaço interno, suspensões independentes, e muita coisa de série: telas grandes, pacote ADAS completo, banco com ajustes elétricos e outras pedidas do consumidor brasileiro. Por enquanto vem da China, mas pode virar nacional futuramente. 

Geely EX2 Max – Foto: Lucca Mendonça

Motorização e como anda

Não, ele pode não ser dono do design mais simpático, mas compensa isso com outras qualidades. Enquanto na China, onde foi líder geral e vendeu mais de 465 mil exemplares em 2025, é oferecido em diferentes opções mecânicas, aqui o pacote é sempre o mesmo: entrega 116 cv de potência e 15,3 mkgf de torque diretamente para as rodas traseiras (tração traseira), o que deixa a frente mais leve e fácil de manobrar. Não é o suprassumo da performance, mas, para o preço que custa e proposta que promete, acelera tão bem quanto um hatch 1.0 turboflex similar.  

Em arrancadas no modo Sport, foi possível até mesmo conseguir números de aceleração melhores do que os divulgados pela marca (9,5s no 0 a 100 km/h, pelas nossas medições), enquanto a agilidade fala alto na cidade, mesmo no modo Eco (economia), ou no Super Eco, que limita ainda mais as funções do Geely EX2 para a máxima autonomia. O que ajuda é o seu peso não muito excessivo, na casa dos 1.300 kg (um Fiat Pulse 1.3 CVT ronda os 1.200, em comparação). 

Geely EX2 Max – Foto: Lucca Mendonça

Autonomia e recarga

Outra parte que interessa bastante é sua autonomia. Com bateria de pouco menos de 40 kWh de capacidade, acabou rondando os 240 km ou 250 km na estrada (modo Eco, só o motorista a bordo, em velocidades entre 110 e 120 km/h), indo além dos 350 km na cidade (regeneração máxima, pé leve e ar desligado). Fica na média dos rivais, superando os dois BYD Dolphin (Mini e GS) com a potência máxima de recarga de 70 kWh, o que permite recargas menos demoradas. No carregador portátil de 220V (de série), não espere nada além dos 2,5 kW. 

Geely EX2 Max – Foto: Lucca Mendonça

Cálculo rápido: foram 637 km rodados com o Geely EX2 na semana de testes, sendo 60% deles na estrada, sempre com modo Eco ou Super Eco (esse é indicado para cidade, já que limita a máxima em 90 km/h). Nesse período, registrou média de 12,1 kWh/100 km rodados, o que significa 8,2 km/kWh, levando a autonomia de aproximadamente 323 km por carga, em uma conta de padaria. Porém, na prática, combinando uso urbano com rodoviário, espere algo em torno dos 290 ou 300 km. O Inmetro fala em 289 km, para efeito de comparação. 

Ao volante

O Geely EX2 é prazeroso de guiar: silêncio e conforto prevalecem. O primeiro fator é ajudado pelos pneus chineses de composto macio (produzem pouco ruído), e pelo motor elétrico traseiro (seu zumbido é praticamente nulo na cabine). Já a segunda virtude se apoia num calibrado sistema de suspensões independentes nas quatro rodas (McPherson na frente e multilink atrás, como em carros mais caros), que, surpreendentemente, lida muito bem com nosso asfalto lunar.  

Apesar do curso um tanto limitado de molas e amortecedores, e do foco na maciez, não bate seco, tem stop hidráulico eficiente e emite poucos ruídos, mesmo em pisos ruins. E, como esperado, graças a essa construção refinada de suspensões, carroceria próxima do solo (16 cm) e centro de gravidade baixo, ele mostra segurança e precisão na hora de contornar curvas rápidas ou fazer desvios bruscos de trajetória. Tende a perder a traseira só quando levado ao limite máximo, algo dificílimo de acontecer, dados seus níveis de torque e aceleração mais contidos. 

Seu sistema de direção, até pela proposta urbana e prática do carrinho, aposta na leveza: o Geely EX2, também pelo pequeno raio de giro e rodas que esterçam bastante, é um dos elétricos mais fáceis de serem manobrados. Porém, em maiores velocidades, há quem sinta falta de um pouquinho mais de peso e firmeza no volante, compensando, até mesmo, a tração traseira, que joga o peso do motor elétrico para o eixo de trás (a frente fica leve, especialmente na estrada). Ainda assim, o pequeno volante de dois raios garante uma pega ergonômica e ágil (lembra a dos Peugeot 208 e 2008), com revestimento mais esmerado que o dos bancos.

Carro para as massas

Apesar do projeto moderno e que traz até alguns luxos (como as já citadas suspensões independentes, ou os quatro freios a disco), o Geely EX2, na essência, é um carro feito para as massas: na China, também tem preço baixo, bem competitivo. Então, por isso, ele mostra alguns cortes de custo principalmente no interior: tem acabamento sem luxos (porém bem montado), enquanto a ergonomia dos bancos dianteiros deixa a desejar (faltam abas laterais mais pronunciadas e apoio lombar mais generoso, principalmente).  

Ainda assim, há ajustes elétricos para o condutor, embora motoristas maiores possam sentir falta dos ajustes de altura do cinto de segurança, profundidade da coluna de direção e até mesmo altura dos encostos de cabeça dianteiros (são inteiriços). O Geely EX2, na realidade, foi projetado pensando com carinho nos chineses, que, além do porte físico menor, também costumam ser magros. 

Bom para Uber, 99 e afins

Porém, assim como a própria Geely já previa no lançamento do EX2, um de seus principais usos é como carro de aplicativo: ele tornou-se, assim como os BYD mais baratos, o queridinho dos motoristas de Uber, 99 e afins. Tem dele aos montes nessa função Brasil afora. Nesse quesito, para a vida a bordo dos passageiros traseiros, só elogios: o banco traseiro não incomoda pelo tamanho, nem pela densidade da espuma, e ali atrás há saídas de ar dedicadas, portas USB, iluminação própria, assoalho plano e amplo espaço para até dois adultos e uma criança, mesmo que sejam pessoas altas, com pernas longas e afins.  

Isso até enaltece uma proposta familiar do Geely EX2, afinal ele é prático com porta-malas de 375 litros (maior que o de SUVs pequenos como Fiat Pulse ou VW Tera), compartimento dianteiro de 70 litros sob o capô (vantagens do motor traseiro), e cabine fácil de operar e cheia de porta-trecos. Destaque para o porta-luvas que se abre para a frente, como uma gaveta, aumentando o compartimento. Ainda há as telas de alta resolução e, pelo incrível que pareça, fácil operação para painel de instrumentos (8,8 pol.) e multimídia (14,6 pol., mesma do SUV EX5). 

Geely EX2 Max – Foto: Lucca Mendonça

Itens de série (e ADAS)

O conteúdo é interessante. No Geely EX2 Max, há iluminação totalmente em LED (por dentro e por fora), bancos em couro sintético, iluminação ambiente, banco do motorista com ajustes elétricos, rodas de liga-leve aro 16, freio de mão eletromecânico, função Auto Hold, câmeras 360º, sensores de estacionamento traseiros, acendimento automático dos faróis, controle eletrônico de descidas (HDC), 6 airbags, ar-condicionado digital com saídas traseiras, carregador de celular sem fio, conexão com app Geely e mais. Só fazem falta limpador e desembaçador traseiros, que inexplicavelmente ficam de fora do pacote. 

Boa sacada do Geely EX2 é, já por esse preço, entregar um pacote ADAS de série nessa versão Max, com tecnologias que os BYD Dolphin Mini e Dolphin GS nem sonham: piloto automático adaptativo (ACC), alerta de distância e movimentação do veículo à frente, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, alerta de saída de faixa, farol alto com comutação automática, entre outros pormenores. No geral, o sistema funciona satisfatoriamente bem, ainda que não tenha os ajustes e calibrações mais precisos do mercado (longe disso). De qualquer forma, um belíssimo diferencial frente aos rivais. 

Bom de mercado, mas a concorrência vem aí

No fim das contas, é fácil entender seu sucesso de vendas, seja aqui ou do outro lado do mundo. Tem lá seus vacilos, porém mexe onde o brasileiro mais preza: no bolso, até mesmo pelo alegado menor custo por km rodado do país (R$ 0,09), segundo a fabricante. Com o Geely EX2, existe vida fora da BYD, e isso é uma ótima notícia. Só que outros concorrentes vêm aí (inclusive de novas marcas), então ele não deve se acomodar e aproveitar o sucesso…

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Com 25 anos, está envolvido com o meio automotivo desde que se conhece por gente através do pai, Douglas Mendonça. Trabalha oficialmente com carros desde os 17 anos, tendo começado em 2019, mas bem antes disso já ajudava o pai com matérias e outros trabalhos envolvendo carros, veículos, motores, mecânica e por aí vai. No Carros&Garagem produz as avaliações, notícias, coberturas de lançamentos, novidades, segredos e outros, além de produzir fotos, manter a estética, cuidar da diagramação e ilustração de todo o conteúdo do site.