(Avaliação) Ford Ranger Black é feita pra rodar na selva de pedra

Picape cabine dupla com motor diesel é um bicho feito pro mato, para o campo. Carregar peso na caçamba, enfrentar estrada sem asfalto, rodar na fazenda, viajar para o interior, todas “missões” que elas tiram de letra. Mas essa é a teoria, porque na prática essas brutas andam mesmo é na cidade: Carregam as crianças até a escola, enfrentam congestionamento, rodam nas avenidas lotadas e, principalmente, vão com seus donos fazer compras no supermercado.

Nem é preciso dizer que os apetrechos de tração 4×4, reduzida, assistentes de descidas íngremes e por aí vai nem são ativados, até porque elas quase nunca saem do perímetro urbano. Essas peculiaridades do consumidor brasileiro são comuns, e geralmente viram um prato cheio para as fabricantes criarem carros com as mais variadas propostas, como é o caso da Ford Ranger Black: Ela é uma caminhonete cabine dupla com um motorzão a diesel, mas é feita pra rodar no asfalto junto com os carros pequenos, por isso dispensa a tração integral.

Foto: Lucca Mendonça

Outra coisa que ela dispensa é o famoso motorzão 3.2 5 cilindros das versões mais caras, que dá lugar a um 2.2 16V também movido a diesel, mas menos potente: 160 cv e 39,2 mkgf de torque, despejados entre 1.600 e 2.500 rpm. São bons números para a proposta dessa Ranger urbana, que no uso diário não demonstra nenhuma falta de força graças também a competente transmissão automática de 6 velocidades fornecida pela Getrag.

Além escalonamento caprichado do câmbio, o segredo está na boa dose de torque em baixa rotação aliado ao peso contido pra uma picapona desse tamanho (cerca de 2.000 kg, quase 300 a menos que as versões 3.2 4×4). Ela responde muito bem aos comandos do pé direito do motorista, não faz feio nas acelerações e retomadas de velocidade, e o melhor: gasta menos combustível que muito hatch popular por aí, chegando tranquilamente em médias de 10,5 km/l de diesel na cidade e, sem pressa, até 17 km/l na estrada. Isso sem falar que com um belo tanque de 80 litros ela vai muito longe, muito mesmo.

Potência e torque razoáveis, economia de hatch popular: 2.2 16V Duratorq (Foto: Lucca Mendonça)

Outro diferencial dessa versão é a calibração exclusiva das suspensões. O conjunto é o mesmo (tipo Duplo A na dianteira e feixe de molas na traseira), mas com preparação para o uso urbano, ou seja, menos brutos. E o resultado surtiu efeito: Ela roda macio e até com certa suavidade, absorve bem a buraqueira e desníveis do asfalto brasileiro e chacoalha menos que as Ranger 4×4, tudo sem prejudicar a estabilidade da carroceria. Pneus mais “civilizados” e um melhor isolamento acústico de motor/câmbio também ajudam nesse conjunto da obra. Os ocupantes agradecem.

Da mesma forma, as coisas boas de uma picape grande cabine dupla ainda estão por aqui, como por exemplo a caçamba de quase 1.200 litros. Nesse caso ela perde qualquer tipo de santantônio e não tem nem proteção plástica, mas ainda serve pra carregar qualquer coisa que não caiba no interior da cabine. Essa Black poderia ter pelo menos a capota marítima, ou algum tipo de cobertura que fizesse dali uma espécie de porta-malas como acontece na Fiat Toro Ultra. Mancada da Ford.

A caçamba não tem santantônio nem proteção plástica: fica devendo uma capota marítima ou outro tipo de proteção (Foto: Lucca Mendonça)

Um fora-de-estrada é tolerável, mas não é a praia dela

A Ranger nunca é uma má opção para um off-road: ela ainda tem a seu favor a grande altura do solo e ângulos de entrada e saída que permitem algumas diversões por aí, além do motor a diesel torcudo caso precise de uma força extra. Se a tração for 4×4 é ainda melhor, mas mesmo essa 4×2 ainda dá conta do recado em estradas de terra batida ou, por que não, em trilhas leves, sem abusar muito.

As viagens para aquela casa de campo ou as aventuras de um final de semana na praia não são proibitivos só porque essa versão Black é feita para a cidade: Ela consegue isso e um pouco mais, mas tem seus limites.

Foto: Lucca Mendonça

Preço bom é destaque

A Ford repetiu a receita da Ranger Storm nessa Black: picape diesel a preço de flex. Com os vários aumentos de preço, tanto uma como a outra já encareceram bastante, mas essa Black ainda é uma boa pedida. Sem opcionais ou variações de cor (obviamente só existe esse preto), ela custa um pouco mais de R$205 mil. É praticamente o mesmo preço de uma XL básica, só que essa Black traz uma infinidade de conteúdo a mais. E olha que nem saímos da linha Ranger…

Por R$205 mil, ela vem bem recheada de equipamentos. As rivais ficam devendo bastante (Foto: Lucca Mendonça)

Na concorrência, pelo mesmo preço e com motor diesel existe a Chevrolet S10 LS 4×4 manual por mais de R$215 mil (e também só com o essencial em equipamentos), Nissan Frontier Attack 4×4 automática por salgados R$226 mil (parelha com essa Ranger Black em conteúdo, mas bem mais cara), ou então a estrela do momento Toyota Hilux na configuração STD Power Pack 4×4 manual por R$221 mil. Lembrando que todas essas rivais têm tração integral e brutalidade de sobra, então a pegada é outra.

Os motivos pra levar uma Ranger Black são vários, principalmente se você gosta de picaponas mas não sai da cidade e só quer se aventurar nos estacionamentos de shopping por aí. Por esse preço e tão completa, nem tem muito o que pensar ou escolher.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 2.198 cm³, diesel, quatro cilindros, 16 válvulas (quatro por cilindro), turbo intercooler, injeção direta de combustível (Common Rail), comando de válvulas duplo no cabeçote, bloco e cabeçote em ferro fundido
Transmissão: Automática com conversor de torque e 6 velocidades, com trocas manuais pela alavanca
Potência: 160 cv a 3.200 rpm
Torque: 39,2 mkgf entre 1.600 e 2.500 rpm
Suspensão dianteira: Do tipo Duplo A, com barra estabilizadora
Suspensão traseira: Eixo rígido com feixe de molas
Direção: Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva
Freios: Discos ventilados na dianteira, tambores na traseira
Pneus e rodas: Bridgestone Dueler H/T, medidas 265/60. Rodas de liga-leve aro 18
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 5,35 m/1,86 m/1,85 m/3,22 m
Capacidade de carga: 1.168 kg
Caçamba: 1.180 litros
Tanque de combustível: 80 litros
Peso em ordem de marcha: 2.032 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: cerca de 15 s
Velocidade máxima: 164 km/h
Preço básico: R$205.190

Principais itens de série:

Motor Duratorq 2.2L de 160cv, Transmissão Automática de 6 Velocidades, Visual Black, 7 Air Bags, Assistente de Partida em Rampa, Controle eletrônico de estabilidade e tração, Controle Anti-Capotamento, SYNC® 3 com Tela Sensível ao Toque de 8″ e Assistência de Emergência, Ar-Condicionado Digital Dual Zone, Piloto Automático, Rodas em liga leve 18”, Bancos em Couro, Câmera de Ré, Sensores de Estacionamento Traseiro, Direção Elétrica, Estribos Laterais, Santo Antônio Personalizado, ISOFIX, Conectividade via aplicativo FordPass™

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Tem 20 anos, atualmente cursa Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Um gearhead legítimo, Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos sobre carros. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos. Os carros estão até nos seus hobbies: Possui um acervo com mais de 300 manuais do proprietário de veículos diversos, incluindo antigos e modernos, além de colecionar revistas, folders, catálogos, e vários outros materiais automotivos.