(Avaliação) Fiat Mobi Trekking: novos ingredientes na velha receita

Logo mais o Fiat Mobi completa seu 6º ano de mercado: não parece, mas ele foi lançado no começo de 2016, quando a situação da marca italiana e do mercado nacional era outra, bem diferente da atual. A promessa do carrinho era preencher o vazio deixado pelo veterano Mille, que saiu de linha no final de 2013, ou seja, ser um dos automóveis mais baratos do Brasil. Demorou algum tempo para o Mobi se popularizar, mas mudanças de posicionamento e novas versões como essa aventureira Trekking com certeza deram um empurrãozinho nas vendas, que finalmente vão bem, obrigado.

Topo de linha e com apelo aventureiro, a versão Trekking é a sucessora da Way (Foto: Lucca Mendonça)

Falando nela, inclusive, é a mais cara da gama do modelo, e traz o mesmo conceito da antiga Way: visual que faz alusão ao off-road, alguns detalhes exclusivos aqui e acolá e, como chamariz principal, suspensões elevadas em 190 mm quando comparado com o restante da linha. É um carrinho bacana para ultrapassar os obstáculos urbanos do dia a dia (buraqueira, valetas, lombadas e pequenos alagamentos, por exemplo), já que é alto e tem maior ângulo de ataque.

Molas e amortecedores são os mesmos das outras versões, mantendo o clássico comportamento molenga e macio e, pior, sua concepção simples dispensa itens como a barra estabilizadora no eixo dianteiro, por exemplo. O resultado prático disso é bastante conforto para os ocupantes, digno de elogios, mas instabilidade direcional e em curvas nas velocidades mais altas, cenário padrão das estradas. O tipo “altinho”, claro, aqui também pesa contra (maior altura = maior centro de gravidade). Por essas e outras que o habitat natural do Mobi é nos grandes centros urbanos, com a possibilidade de algumas viagens curtas as vezes, mas nada muito além disso. Típico de um popular subcompacto.

Suspensões elevadas em 190 mm tem prós e contras (Foto: Lucca Mendonça)

E, pelo porte, já dá pra se imaginar que espaço interno e porta-malas não são a prioridade: sua carroceria compacta de pouco mais de 3,5 m inclui uma distância entre-eixos de apenas 2,3 m (23 cm menor que do Argo, por exemplo), além de um porta-malas de pífios 215 litros, que se beneficia mais pela profundidade do que pelo comprimento/largura. Caso seu maior problema sejam as vagas apertadas e ruas estreitas ao invés do espaço para passageiros e bagagens, ele é o carro perfeito. Ainda assim, com um pouco de aperto, cabem até quatro ocupantes não muito grandes dentro desse Fiat, enquanto motorista e passageiro dianteiro se acomodam relativamente bem graças ao teto alto e comandos fáceis.

Pouco espaço interno, mas boa posição de dirigir e comandos fáceis (Foto: Lucca Mendonça)

Quem move o Mobi

Simples como pede um subcompacto popular, o motor do Mobi Trekking é velho conhecido dos brasileiros: trata-se do 1.0 Fire de quatro cilindros e oito válvulas, datado do início dos anos 2000, que ainda entrega bons 73/75 cv e 9,5/9,9 mkgf de torque a 3.850 rpm (gasolina/etanol), números honestos pra um carrinho urbano de 940 kg. Uma boa parte desse torque aparece cedo, antes dos 2.800 rpm, o que garante, nas devidas proporções, bastante esperteza ao carro nas acelerações e retomadas de velocidade.

Conhecido de quase 20 anos: 1.0 Fire de quatro cilindros (Foto: Lucca Mendonça)

A boa curva de força também permite que o câmbio manual de 5 marchas tenha um escalonamento correto, com 1ª e 2ª curtas, 3ª e 4ª longas e 5ª também curta: a 120 km/h, o motor se aproxima das 4 mil rpm e já tem todo o torque disponível, mas o barulho incomoda. Pesam contra os engates longos e imprecisos dessa caixa manual, além da ré que insiste em quase sempre arranhar na hora do engate. Ele também troca a direção elétrica pela boa e velha assistência hidráulica, que não incomoda pela facilidade nas manobras e precisão na condução, embora roube mais potência do motor.

Ele troca a direção elétrica pela hidráulica, e o computador de bordo é simples, mas útil (Foto: Lucca Mendonça)

Agora aonde esse popular da Fiat faz bonito é na economia de combustível, que é complementada com um tanque de generosos 47 litros (o Argo, por exemplo, tem 48). Não é tarefa difícil registrar médias acima dos 10,5 km/l de etanol na cidade com o ar-condicionado ligado e trânsito carregado, enquanto nas rodovias ele agrada com até 13 km/l de etanol em velocidades sempre acima dos 110 km/h. Nessa versão ele já traz um computador de bordo simplificado (sem dados de autonomia, por exemplo), mas útil. Esse tipo de despreocupação com o consumo do Mobi, ainda mais em tempos de combustível caro, é um alento pra motoristas de aplicativo, com quem o carrinho da Fiat faz sucesso, inclusive.

Mais de R$62 mil na versão básica

O Mobi Trekking é o mais caro, mas nem por isso já traz tudo de série. O problema é que essa versão básica custa R$62.290 e oferece bem menos que o carro avaliado que você vê nas fotos: vão-se embora as rodas de liga-leve aro 14, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, retrovisores com ajuste elétrico e até as regulagens de altura da coluna de direção e cintos de segurança dianteiros, mas a boa multimídia de 7” está lá de série. Todos esses itens são divididos em dois pacotes de opcionais (Pack One e Pack Style), que juntos somam R$4 mil. O carro idêntico ao das fotos beira os salgados R$68 mil, já com a cor metálica inclusa.

Mais de R$62 mil na versão básica, que podem chegar a quase R$68 mil com os opcionais (Foto: Lucca Mendonça)

Assusta ver que um popular tão simplório já se aproxima dos R$70 mil, mas a situação fica “mais tranquila” considerando que o Argo, posicionado logo acima dele, já beira os R$80 mil com motor 1.0. Na bem da verdade, o subcompacto da Fiat está dentro dos padrões de preço do mercado nacional hoje em dia, mas ele faz parte de um segmento que diminui cada vez mais (hoje só restam ele e o Renault Kwid), e que vem dando espaço para os hatches compactos mais premium, caso do próprio Argo.

O Mobi Trekking vale a pena? Sim, mas exclusivamente pela sua proposta diferenciada, já que os aventureiros maiores como os conterrâneos Argo Trekking e Pulse, por exemplo, custam bem mais que esses R$68 mil. No caso dos Mobi “comuns”, a história pode ser outra.

Ficha técnica:

Concepção de motor: 999 cm³, flex, quatro cilindros, 8 válvulas (duas por cilindro), aspiração natural, injeção indireta de combustível, comando de válvulas único no cabeçote, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio
Transmissão: manual de 5 marchas
Potência: 73/75 cv a 6.250 rpm (gasolina/etanol)
Torque: 9,5/9,9 mkgf a 3.850 rpm (gasolina/etanol)
Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson
Suspensão traseira: Eixo de torção com molas helicoidais
Direção: Tipo pinhão e cremalheira com assistência hidráulica
Freios: Discos ventilados na dianteira, tambores na traseira
Pneus e rodas: Dunlop Enasave E300+, medidas 175/65. Rodas de liga-leve aro 14 opcionais
Dimensões (comprimento/largura/altura/entre-eixos): 3,59 m/1,66 m/1,55 m/2,30 m
Porta-malas: 215 litros
Tanque de combustível: 47 litros
Peso em ordem de marcha: 940 kg
Aceleração 0 a 100 km/h: 14,6/13,8 s (gasolina/etanol)
Velocidade máxima: 151/152 km/h (gasolina/etanol)
Preço básico: R$62.290

Itens de série:

3 apoios de cabeça do banco traseiro, Ar-condicionado, Banco traseiro rebatível, Barra de proteção nas portas, Bolsa porta-objetos e porta garrafa nas portas dianteiras, Brake-light, Chave com Fiat Code 2ª geração, Check quadro de instrumentos (Welcome Moving), Cinto de segurança traseiro retrátil 3 pontos, Cintos de segurança dianteiros retráteis de 3 pontos, Computador de Bordo (distância, consumo médio, consumo instantâneo), Console central com porta-objetos e porta-copos (2 dianteiros e 1 traseiro), Direção hidráulica, Drive by Wire (Controle eletrônico da aceleração), ESS (Sinalização de frenagem de emergência), Espelho no para-sol lados motorista e passageiro, Faróis com máscara negra, Follow me home, Gancho universal para fixação cadeira criança (Isofix), Grade dianteira texturizada, HSD (High Safety Drive) – Airbag duplo (motorista e passageiro) e Freios ABS com EBD, Lane Change (Função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa), Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, Luz de leitura dianteira com interruptor na porta lado motorista e passageiro, Maçanetas e retrovisores externos na cor preta, Molduras nas caixas de roda, Motor Fire 1.0 EVO 8V Flex, Parachoques na cor do veículo, Parachoques exclusivos, Porta-malas com tapete em carpete, Pré-disposição para rádio (2 alto-falantes dianteiros), Quadro de instrumentos com Iluminação a LED e display digital de 3,5 polegadas (Conta-giros, indicador de trocas de marchas, hodômetro parcial e total, relógio digital, indicação do nível de combustível e temperatura do motor), Retrovisores externos com comando interno mecânico, Retrovisores externos com luzes indicadoras de direção integradas, Revestimento externo nas colunas B e C das portas, Revestimento interno em todas as colunas, Rodas de aço estampado 5.5 x 14″ com calotas integrais + Pneus “verde” 175/65 R14 com baixa resistência a rolagem, Suspensão elevada, Tampa traseira do porta malas em Vidro estrutural de alta resistência na cor preta, Tomada 12V, Vidros elétricos dianteiros (one touch e antiesmagamento) e travas elétricas nas 4 portas, Válvula antirrefluxo de combustível.

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Tem 20 anos, cursa Publicidade e Propaganda, é filho do jornalista Douglas Mendonça, e desde que se conhece por gente, convive com carros e está envolvido no mundo automobilístico. Aprendeu a ler nas revistas automotivas, cresceu frequentando oficinas, corridas, encontros e eventos com o pai, e daí veio sua maior paixão: os carros. Lucca se tornou o braço direito do pai após sua perda de visão em 2012, ajudando na produção de matérias, reportagens, avaliações e textos. No Carros & Garagem, é responsável pela cobertura de eventos de lançamento de novos veículos, e produz avaliações, fotos e comparativos de modelos.