Avaliação: Fiat Cronos Drive 1.3 manual é aquele arroz com feijão bem preparado

O Fiat Cronos Drive 1.3 manual ficou longos meses fora de linha no mercado brasileiro. Segundo a marca, para adequações às novas leis antipoluição. Havia quem apostava no fim definitivo dessa versão que, inclusive, acompanha o sedan compacto desde sua estreia no começo de 2018, e que por anos foi a mais barata. De qualquer forma, agora de volta, sai por R$ 115 mil, e tornou-se a segunda opção mais em conta da linha, perdendo apenas para a Drive 1.0 de R$ 110 mil.
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Fiat Cronos Drive 1.3 manual convence
Quem conhece o sedan pequeno da Fiat sabe de suas qualidades: é confortável pra guiar e andar como passageiro, tem amplo espaço interno mesmo com limitações de plataforma, entrega um dos maiores porta-malas dentre sedans no mercado nacional (525 litros), e convence na vida a bordo. Para quem usa o carro para trabalho, a robustez mecânica e o baixo custo de manutenção também convencem. É como aquele arroz e feijão bem preparado: agrada a maioria, não foge do convencional e nem esconde segredos. Cumpre sua missão.

Pouca grana pelo melhor desempenho
Os R$ 5 mil de diferença entre o Fiat Cronos Drive 1.3 manual e seu irmão 1.0 valem muito a pena pelo fator desempenho. Com o 1.3 8v Firefly no cofre, o sedan ganha um belo extra de força, e consegue melhores arrancadas, retomadas, ultrapassagens e por aí vai, mesmo com três ou mais pessoas a bordo. O 1.0 sofre em boa parte desses casos. Pudera, aqui falamos de 98/107 cv de potência e 13,2/13,7 mkgf de torque (gas/eta), gerenciados por uma transmissão manual de 5 marchas que, mesmo após ganhar relações um pouquinho mais longas alguns anos atrás, ainda é curta.

Na realidade, isso é bom, afinal esse Firefly do Fiat Cronos Drive 1.3 manual é bom nas arrancadas e baixos giros, graças as duas válvulas por cilindro (que agilizam o fluxo de ar e garantem maior força em menores rotações), e volta a brilhar de verdade nas altas rotações, próximo dos 4.200 rpm em que seu pico de força é declarado. Nas médias, não entrega todo seu potencial. O câmbio curto ajuda, justamente, a manter o motor sempre girando mais, e o carro, com isso, ganha velocidade de forma mais rápida.
E, no apanhado, o Fiat Cronos Drive 1.3 manual continua prazeroso de guiar, graças, também, ao melhor desempenho nas acelerações, retomadas e velocidade máxima dentre as versões atuais do modelo. Seria melhor, claro, se trouxesse um trambulador de marchas mais justinho e preciso, ao invés desse mais molenga, que é típico dos carros da marca italiana. Ainda assim, as respostas ao comando do pedal direito convencem, e a embreagem, tal qual freios ou direção, tem controle macio.
Econômico (até para o Inmetro)
Baixo consumo é uma de suas vantagens. Como esse motor tem relativa sobra de força para mover o carro, mesmo com as relações de marchas curtas, ele é menos exigido em diferentes tipos de uso, e por isso bebe menos. Um Fiat Cronos Drive 1.3 manual é mais econômico que um Drive 1.0 manual, inclusive (esse tem motor mais exigido). Com gasolina de boa qualidade no tanque, passou dos 13 km/l na cidade (o Inmetro, pessimista por natureza em seus números, homologa ele com 13,3 km/l), enquanto na cidade era comum o computador de bordo acusar 17,5 km/l ou mais, mantendo velocidades ao redor dos 110 km/h (15,7 km/l pelo Inmetro). Excelente!
Maduro e macio
No geral, o Cronos amadureceu bastante nesses quase nove anos de mercado. Além da reestilização visual aplicada no ano passado, que trouxe a dianteira mais quadrada e retilínea, bem como atualizações na honesta central multimídia de 7 pol. (que agora tem conexões sem fio para Android e Apple), o carro tornou-se mais silencioso ao rodar. Mais mantas fonoabsorventes fazem esse trabalho, estancando até mesmo os ruídos do 1.3 lá debaixo do capô (a transmissão, surpreendentemente, é quieta por natureza). Também conta com sistemas de som e ar-condicionado elogiáveis.

Não tanto quanto um Citroën, mas o Fiat Cronos Drive 1.3 manual é macio ao rodar. Conta com molas e amortecedores robustos para encarar nosso asfalto lunar (como esperado num Fiat criado pela filial brasileira), e carroceria alta do chão, o que livra seu parachoque de enroscar em valetas ou guias altas, por exemplo. No geral, roda macio, absorve com competência as irregularidades do piso, e, em que pese o acerto confortável, não faz desse sedan um carro molenga demais nas curvas. Acertado.

Direção fácil
E, como de praxe nos carros modernos da marca italiana, o Fiat Cronos Drive 1.3 manual é gostoso de guiar. Tem direção macia nas balizas e precisa em maiores velocidades, bom raio de giro para facilitar manobras apertadas, e, como contraponto, só deixa a desejar pela falta do ajuste de profundidade da coluna de direção: motoristas mais altos, que precisam colocar o banco mais para trás, podem ter o volante distante demais, obrigando que os brancos fiquem esticados durante a condução. Porém, ao contrário do SUV Pulse, nesse sedan a manopla de transmissão fica acessível, graças ao banco em posição mais baixa.

Vantagens no ponto-a-ponto
No mais, o acabamento é simples, mas bem encaixado e com materiais condizentes; o sistema de ar-condicionado merece elogios pela eficiência; seu sistema de som com 6 alto-falantes supera a qualidade dos Peugeot e Citroën; e a boa e velha multimídia de 7 polegadas, em que pese a tela pequena, é prática e fácil de mexer, tal qual a telinha multifuncional no painel de instrumentos. Um carro que não esconde segredo algum. E, nessa lista de benefícios, inclua ainda o bom espaço traseiro, para até dois adultos e uma criança, que encontram teto alto, um vão generoso para as pernas, e banco com espuma densa e confortável. Luzes de leitura traseiras e porta USB dedicada estão ali.
Pacote opcional, e a dúvida
Mas é importante alertar sobre o pacote S-Design do Fiat Cronos Drive 1.3 manual avaliado: ele custa pouco mais de R$ 4 mil, e inclui desde rodas de liga-leve aro 15 escurecidas, emblemas especiais, aerofólio traseiro, até alças de teto traseiras, passando por um revestimento mais chique nos bancos, ar digital automático, chave presencial, partida por botão, câmera de ré, faróis de neblina em LED (ótimos na iluminação, por sinal), retrovisores elétricos, além do volante revestido em couro perfurado (bem bacana). Ou seja: para ter um exemplar completinho assim, espere desembolsar pouco menos de R$ 120 mil no final das contas (sem cor metálica).
Esse valor já permite partir para a versão Drive CVT, com transmissão automática, porém mais pelada de equipamentos. Aí, vai das preferências e gostos de cada consumidor entre optar pelo pacote de equipamentos na configuração com câmbio manual, ou partir para o conforto da transmissão automática numa lista de itens de série mais enxuta. Também há o Drive CVT S-Design, mas aí já falamos de R$ 125 mil, valor da versão Precision, bem mais completa. A escolha entre manual completão ou automático básico vai do gosto do freguês, mas, de qualquer forma, nada tira os méritos do sedan compacto da Fiat: um arroz com feijão bem preparado.






























