Avaliação: Citroën Basalt Dark Edition 2026 ganhou um bom banho de loja

O Citroën Basalt Dark Edition, acreditem, chama a atenção nas ruas. Talvez pela cor cinza-epóxi do exemplar avaliado, pelas rodas escurecidas, detalhes em laranja pela carroceria, emblemas em black piano, pelo estiloso aerofólio no topo do vidro traseiro, ou talvez por tudo isso junto. De qualquer forma, para um SUV ainda apagado nas vendas (menos de 6,7 mil carros desde janeiro, contra mais de 32 mil do VW Tera), o tal do Dark Edition parece atrair a atenção do público, coisa que outras versões não fazem.
Leia mais:
Breve análise das vendas de hatches e SUVs em 2026

E é mais ou menos disso que o Basalt, como carro, precisa: que o público lembre dele. Afinal, tornou-se um carro maduro em pouco tempo de vida, e hoje já resolveu boa parte dos (pequenos) problemas que trazia no lançamento, como o acabamento fraco, comandos internos mal localizados, alguns ruídos de torção vindo das portas traseiras e tampa do porta-malas, etc. Hoje, é um carro mais caprichado, por um preço dito interessante: cerca de R$ 120 mil num valor promocional quase permanente.

Citroën Basalt Dark Edition nasceu na Índia
Com esse visual mais esportivo e elegante, o Citroën Basalt Dark Edition é a prova do quão bem um banho de loja pode fazer com um carro um tanto esquecido. Aqui, deu brilho para essa versão topo de linha. Surpreende o fato desse pacote, na verdade, ter nascido no mercado indiano, e logo em seguida desembarcado no Brasil com pouquíssimas adaptações, ainda que os dois públicos sejam distintos. Porém, de fato, o estilo mais sport no Basalt faz com que ele passe uma impressão de produto mais refinado, ainda que seja um dos mais simples da categoria. Boa!
T200 e CVT
Não espere novidades mecânicas. Sob o capô trabalha o 1.0 turboflex de três cilindros, o GSE T3, com seus 125/130 cv de potência e 20,4 mkgf de torque. É um motor moderno e refinado na concepção (por isso consegue alguns dos melhores números dentre os 1.0T), que brilha ainda mais puxando a carroceria leve desse Citroën Basalt Dark Edition (menos de 1.200 kg). Ressona, vibra e trepida um pouquinho mais nele do que em outros modelos que também impulsiona, porém não deixa de entregar bom desempenho desde baixos giros, despertando com bastante vigor ao redor dos 3.000 rpm (faixa em que o carro desperta de verdade).
Para não fugir à regra, o Citroën Basalt Dark Edition usa a transmissão automática CVT de sete marchas, que, apesar de escorregar um pouco nas saídas (para garantir arrancadas mais confortáveis), tem calibração espertinha durante a condução. É uma das caixas CVT que melhor simula as velocidades, especialmente no modo Sport de condução, e que mais permite passagens no modo manual, nesse caso pela alavanca de transmissão. Casa bem com o motor 1.0 turboflex, ambos pensados para o uso confortável sem abrir mão do desempenho.

Bom de números
O carrinho é ligeiro: cumpre a prova de 0 a 100 km/h em pouco mais de 9,5s quando bebe etanol (número de ficha técnica fiel à realidade, segundo nossos testes), e belisca os 200 km/h de velocidade máxima. Arranca com vigor (questões de calibração de acelerador eletrônico e abertura de válvulas), ganha velocidade sem demora (pouco peso e transmissão ágil), e, para o máximo pique, é só elevar o conta-giros para próximo dos 3 mil rpm. Dependendo, até faz jus ao Citroën Basalt Dark Edition, que aparenta acelerar mais do que os outros (só aparenta).
E, como esperado, essa receita de carroceria leve, motorização moderna e sobra de força no conjunto resultam em boas médias de consumo. Com gasolina, rondou os 17,0 km/l na rodovia a 110 km/h, chegando a mais de 18 km/l em velocidades mais baixas, enquanto os números na cidade podiam passar dos 13 km/l, caso o trânsito ajudasse. O que também explica os números de economia no uso rodoviário é a relação final longa do CVT, que, com pé leve, faz o 1.0 turboflex trabalhar a cerca de 2 mil giros a 100 km/h. Por essas e outras, acaba bebendo pouco.

Citroën Basalt Dark Edition já nasceu evoluído
A vida a bordo desse Citroën Basalt Dark Edition tornou-se mais agradável depois de algumas melhorias aplicadas na linha 2026 do SUV coupé. Ele recebeu luxos como apliques em couro sintético no centro do painel (inclusive com costuras vermelhas), maior parte macia nas portas dianteiras, e uma montagem um pouquinho mais esmerada das peças internas (no geral, tudo ficou mais alinhado). Falhas de acabamento eram comuns nesses Citroën, e agora a maioria parece ter sido corrigida. Também caem bem as forrações pretas de colunas das portas e forro de teto, para deixá-lo mais discreto e elegante por dentro. E, finalmente, os botões dos vidros elétricos traseiros estão no lugar correto: nas respectivas portas, com comando principal na porta do motorista.

Ao volante
Ergonomia e dinâmica convencem. Faltam ajustes de profundidade da coluna de direção e altura do cinto de segurança, dois vacilos, mas ainda assim, mesmo motoristas altos conseguem achar boa posição de dirigir o Basalt, sem que o volante fique distante. Pedaleira e alavanca da transmissão automática estão em posições corretas, e a direção geral foca na maciez e no conforto, sem que isso prejudique sua dinâmica. Claro, por conta do acerto mais mole de molas e amortecedores (para obter o tal efeito de tapete voador, que a Citroën sempre cita), não espere dele o pique de um Peugeot 208 nas curvas, por exemplo, mas há segurança e controle do carro.
O que, positivamente, destoa do projeto simples do Citroën Basalt Dark Edition, hoje posicionado como um produto mais barato até mesmo que Fiat Pulse ou Peugeot 2008, é a posição de guiar elevada, como já existe no hatch C3. O objetivo é passar a sensação de se estar a bordo de um carro maior e mais alto, o que realmente funciona, além de ampliar a visibilidade ao volante (já que sua área envidraçada não é das maiores). Conta vantagem, ainda, o par de bancos dianteiros anatômicos e de tamanho correto, mais o encosto de braço, apenas para o motorista.
Inegavelmente espaçoso
Seu espaço interno é surpreendente, e essa é uma das qualidades inegáveis do Citroën Basalt Dark Edition, e outras versões. É daqueles carros que leva a sério o lema de compacto por fora, gigante por dentro, ou algo parecido. Tem entre-eixos quase igual ao de um VW T-Cross, o que permite um enorme, enorme mesmo, vão entre os bancos dianteiros e o traseiro, digno de adultos de grande estatura viajarem de pernas cruzadas.
A caída coupé da traseira acontece depois da segunda fileira de bancos, então a cabine com teto alto é democrática, valendo para todos. Só não é dos mais largos, então atrás vão bem dois adultos e uma criança, no máximo. Porta-malas segue a mesma cartilha, com 490 litros de capacidade, e tampa enorme que ergue vidro traseiro e lataria.
Não espere muitos mimos aos ocupantes: o Citroën Basalt Dark Edition dispensa luxos como apoio de braço traseiro, saídas de ar traseiras e outras funções, focando na praticidade e redução de custos. Vem com ar digital automático, bancos em couro sintético, 4 airbags, piloto automático, multimídia de 10 pol. com conexões sem fio, instrumentação digital de 7 pol., volante multifuncional, piloto automático, retrovisores elétricos, vidros e travas elétricas, modo Sport de condução, rodas de liga aro 16, entre outros. Faróis em LED, chave presencial, sensores de chuva e crepuscular, ou mesmo pacote ADAS, ficam de fora.
Banho de loja é bem-vindo
No Citroën Basalt Dark Edition, o banho de loja cai muito bem, obrigado. Só pelo estilo mais esportivo e noturno, ou pelo conjunto motor/câmbio espertinho, sem contar espaço interno, porta-malas, alto nível de conforto e robustez (encara a buraqueira, lombadas, valetas e outros obstáculos com bravura) e equipamentos de série interessantes, ele pode fazer mais sentido que um Fiat Fastback T200 ou um VW Nivus Sense, dois outros SUVs coupé pelos mesmos R$ 120 mil.
































