Avaliação: Citroën Aircross XTR 2026 deveria vender mais, e te conto o porquê

Passei sete dias a bordo do Citroën Aircross XTR 2026, e rodei 900 km com ele, sempre com uma dúvida na cabeça: por que a minivan da marca francesa vende tão pouco? Para que se tenha uma ideia da situação do modelo, ele só aparece no ranking de vendas diretas da Fenabrave, não constando nem na lista de 50 carros de passeio e utilitários mais emplacados do mercado nacional no geral. Nas vendas diretas, não chegou nem a 180 carros em maio, enquanto o acumulado do ano sequer atinge as 1.000 unidades. Crítico…
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Preço não é o problema do Citroën Aircross XTR 2026
Ao longo do teste, fui pensando em motivos pelos quais o consumidor não escolhe o carro. Preço? Essa versão topo de linha, Citroën Aircross XTR 2026, é tabelada em R$ 156,5 mil, mas recebe um descontão permanente e sai por cerca de R$ 136 mil para todo tipo de público (varejo, via concessionária). É o mesmo que custa um VW Polo Highline hoje em dia, só que aqui levamos uma minivan espaçosa, completona, com sete lugares e motor turbo de 130 cv. Sua arquirrival Chevrolet Spin Premier sai por mais de R$ 165 mil, e nem sonhe com esses descontos generosos da Citroën.

Design?
Visual? Ok, o Citroën Aircross XTR 2026 não é o mais bonito, mas também passa longe de ser feio ou desproporcional, especialmente nessa versão mais caprichada: há adesivos decorativos pela carroceria, teto preto, molduras plásticas laterais, rodas aro 17 com visual parrudo, e linhas proporcionais, sem exageros. Por dentro, depois de um banho de loja aplicado na linha 2026, ficou mais estiloso, discreto e requintado, com direito a painel com aplique central emborrachado, bancos decorados, multimídia elegante de 10 pol., instrumentação digital e afins. O problema também não está aqui.
Motorização dá conta…
A motorização também não tem erros. Trata-se da união do 1.0 turboflex de três cilindros e injeção direta com origem Fiat, que entrega 125/130 cv de potência e 20,4 mkgf de torque (gas/eta), e vem casado ao câmbio automático CVT de sete marchas simuladas. Apesar de um pouco áspero, esse motor brilha com amplo torque em baixas rotações, e disposição especial a partir dos 3 mil giros, quando acorda por completo. A aliança com a transmissão CVT Aisin é fiel, e essa caixa automática é uma das mais espertas desse tipo no mercado: escorrega pouco, simula as marchas com precisão, e não aborrece na hora de acelerar.
Em resumo, ainda mais pelo baixo peso do Citroën Aircross XTR 2026 (nem 1.300 kg), o carro desenvolve com agilidade no uso urbano ou rodoviário. Coloquei à prova: viajei por vários km numa subida de serra com a minivan carregada com cinco ocupantes e porta-malas cheio, e, para minha surpresa, não faltou pique para retomadas, acelerações ou ganhos mais imediatos de velocidade, sem nem precisar recorrer às trocas de marchas manuais ou ao modo Sport de condução, duas sacadas inteligentes desse powertrain. De quebra, terminou a viagem fazendo mais de 12,5 km/l de gasolina, marca excepcionalmente boa para as condições citadas acima.

Consumo, equipamentos
O Citroën Aircross XTR 2026 tem sua beleza, é bom de preço, tem motorização adequada, boas marcas de consumo (chegou a mais de 16 km/l de gasolina em rodovias planas com o carro vazio, enquanto na cidade rondou os 11,5 km/l). Estaria na vida a bordo o problema? Como disse, o carro evoluiu na linha 2026, mas seu projeto não esconde a origem, mais simples dentre os modelos do Grupo Stellantis…
Não há chave presencial, ajuste de profundidade da coluna de direção, nem muita tecnologia embarcada (esqueça sensores de chuva e crepuscular, retrovisor fotocrômico, freio de mão eletromecânico, e muito menos ADAS), mas sim um pacote racional com instrumentação digital, boa multimídia, ar digital automático, vidros e travas elétricas, retrovisores elétricos, bancos em couro sintético, 4 airbags, luzes diurnas em LED e várias portas USB (até para a terceira fileira), por exemplo.

Vida a bordo convence
Os tais bancos dianteiros, em posição bem elevada, são grandes e parecidos com os do finado Citroën C4 Cactus, com boas abas laterais e ergonomia correta, ainda que a espuma seja mais densa e a forração, mais humilde. Não cansam nas viagens longas. O volante, mesmo sem ajuste de profundidade, fica na mão mesmo dos motoristas mais altos, e não incomoda pelo tamanho diminuto. Telas são simples, mas fáceis de operar, mesmo enquanto dirigindo. A vida a bordo do Citroën Aircross XTR 2026 ficou melhor de uns tempos pra cá, sem dúvidas, com as melhoras de acabamento. Mas, na essência, ainda é clara sua proposta mais racional e de baixo custo.
7 lugares topo de linha mais barato
Ainda assim, pelo preço de um Polo, não dá para exigir muito da tal minivan, especialmente considerando que sua arquirrival, a Spin, também não está muito à frente no quesito projeto: é mais velha, com plataforma obsoleta, motorização (muito) antiga e suas falhas conceituais. Nenhum dos dois, ainda assim, está à altura de um SUV moderninho com plataforma modular. Mas a sacada está nos 7 lugares, lembra?
E, nesse ponto, não há forma mais barata de carregar sete ocupantes num carro 0 km a não ser comprando um Citroën Aircross XTR 2026, ou alguma das suas outras versões mais baratas (começam nos R$ 130,8 mil de tabela, ou R$ 123 mil promocionais). Seria, então, problema de espaço? Vejamos…
Será que falta espaço?
Coloquei cinco a bordo do Citroën Aircross XTR 2026, contando comigo, e viajamos por 4 horas, todos com conforto. No seu porta-malas, com quase 500 litros sem os dois últimos banquinhos (removíveis de forma bem fácil, com 10 kg cada), coube as tralhas de todo mundo e ainda sobrou espaço. Motorista e copiloto vão em posto alto, e, mesmo com o pequeno parabrisas (emprestado do hatch C3), há boa visibilidade e ergonomia correta, oferecendo, inclusive, mais espaço para joelhos e pés do que em alguns daqueles SUVs moderninhos que vendem à rodo.

Atrás, graças ao amplo entre-eixos de 2,67 m, esqueça pernas prensadas contra os bancos dianteiros ou falta de espaço para colocar os pés: há bastante folga nesse quesito. Só não é dos mais largos, então três adultos grandes no banco traseiro vão permanentemente encostados. Apesar de parecerem limitados, os quase 1,70 m de altura do modelo não enganam, e o teto da cabine é bem alto. Tranquilo.

Continuei a saga
Continuei procurando. Sistema de ar-condicionado dá muito bem conta do recado (tem até recirculador traseiro com comando separado), as três fileiras de bancos contam com portas USB, há luzes de leitura traseiras, o sistema de som é adequado (nada surpreendente, mas cumpre seu papel). Numa frenagem forte, ele passa segurança. Nas curvas rápidas, apesar do centro de gravidade mais elevado, não mostra descontrole. Suspensões são extremamente macias, com curso alto (não batem seco), e tremenda capacidade de absorção: o conforto é ponto alto do Aircross, aliás. A direção é precisa e macia, como de praxe nos irmãos dessa plataforma CMP.
Como produto, muitos elogios
No fim das contas, o Citroën Aircross XTR 2026 provou que, como produto, não deve nada para ninguém. Fui além: pós-venda. Suas três primeiras revisões (10 aos 30 mil km) saem por pouco menos de R$ 3 mil, conforme informações do próprio site da fabricante. São quase R$ 1 mil a mais que as da Chevrolet Spin 2027 (aproximadamente R$ 2 mil pelos três primeiros serviços). Desvalorização, como é sabido dos Peugeot e Citroën, também é outro fator que pode espantar alguns clientes, principalmente os que pretendem não ficar muito tempo com o carro. Pela tabela Fipe, o Aircross desvaloriza mais do que a Spin.
Rede de concessionárias
O tamanho da rede é razoável, com pouco mais de 160 concessionárias espalhadas pelo Brasil. Outras, como a Chevrolet ou VW (que tem T-Cross, SUV compacto, como outra grande ameaça do Aircross, em que pese os cinco lugares), somam mais lojas: cerca de 550 na primeira, e 500 na segunda. Os investimentos da marca francesa em publicidade e divulgação também são mais tímidos.

Injustiça, ou ninguém lembra?
Será que essa minivan não vende tanto por ser simplesmente desconhecida do grande público? Ou mesmo esquecida na hora da escolha do carro novo? Ou então será que os medos com relação ao pós-venda e desvalorização falam mais alto? Mistério. Mas o fato é que o Citroën Aircross XTR 2026 merecia mais atenção…

































