Audi chegou ao Brasil em 1994 pelas mãos de Senna em uma festa inesquecível

Foto de capa: Toni Pires/Folhapress
Era 29 de março 1994, exatos dois dias depois do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no qual nosso tricampeão mundial Ayrton Senna tinha desistido da prova na volta 56, depois de rodar na curva da Junção. Mas Ayrton tinha outra importante missão: lançar no mercado brasileiro a prestigiosa e importante marca alemã de automóveis Audi. Senna seria o importador e representante da Audi no Brasil, trazendo-a para o Brasil junto de suas tecnologias, como a tração integral quattro, que marcou história nos rallys.
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Audi vinha combater BMW e Mercedes
Esta era mais uma missão difícil para o nosso tricampeão: os Audi deveriam enfrentar por aqui as conhecidas e consagradas marcas também alemãs Mercedes-Benz e BMW. Carros caros e luxuosos. Ayrton não temia os concorrentes, exatamente como fazia nas pistas de competições da Fórmula 1: encarou o desafio de provar ao consumidor brasileiro que a nova marca era de tanto prestígio quanto as rivais.
Claro que a apresentação da então desconhecida Audi, e da recém-inaugurada Senna Import, deveria ser feita em um evento de muito glamour que despertasse a curiosidade e interesse pelo novo produto que chegava. Ayrton e sua equipe de criação idealizaram uma festa daquelas! Tudo foi organizado e feito no hangar de número 3 da Varig, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Tudo pensado para receber mais de 2.000 pessoas com tremenda elegância.

Evento teve até Boeing 737 envolvido
Só que nenhum convidado sabia da programação do evento. Em um dado momento, um Boeing 737 cargueiro da Varig se aproxima do hangar. Como estávamos em um aeroporto, a aproximação da aeronave não era assustadora, mas todos os presentes se olharam, sem entender muito o que estava acontecendo. Quando todos olhavam curiosos para o Boeing, a rampa traseira de descarga abriu-se, a música presente parou e começou a tocar o Tema da Vitória, presente em todas as conquistas de Senna nas pistas.

Para espanto geral, saiu de dentro do avião um Audi 80 vermelho conversível, com ninguém menos que o humorista e apresentador Jô Soares ao volante. Senna ia no banco do passageiro. O público delirou em aplausos, e o carro com as duas figuras adentrou ao hangar. Os dois desceram do reluzente carro, e Jô logo brincou que estava morrendo de medo de dirigir aquele carrão, saindo de um avião cargueiro, com ninguém menos que Ayrton Senna ao seu lado.
Jô Soares e Senna
Jô Soares era o mestre de cerimônias, enquanto Senna pegou no pesado, e apresentou aos convidados os carros e seus detalhes técnicos. Ele curtia, e muito, o assunto, então não foi esforço. O primeiro modelo oferecido foi o Audi 80, inclusive com sua versão Cabriolet em que ele e Jô desembarcaram. Logo veio também o modelo 100, sedan um pouco maior, e, como não poderia deixar de ser, as versões esportivas S2 e S4.

A marca alemã chegou ao país de 1994 e em 1995 já era líder do segmento, batendo seus dois concorrentes alemães em vendas. A Senna Import pretendia vender 600 carros naquele primeiro ano, mas surpreendentemente emplacou mais de 1.000.
Senna faleceu semanas depois
A nota triste foi o falecimento de Ayrton Senna no GP de San Marino em Imola, na Itália, poucas semanas depois da estreia da marca alemã. Logo a marca alemã foi associada ao tricampeão pelo consumidor brasileiro. E não foi só esse: os eventos da Senna Import eram quase sempre criativos e inéditos, o que talvez tenha ajudado a Audi a se tornar o que é hoje no mercado brasileiro.












